Milei surpreende o mundo ao transformar a economia argentina com políticas radicais
A inflação caiu de quase 300% para 67%.. A taxa de pobreza, que em um primeiro momento havia subido para 53% no início de 2024, caiu para 38% já no segundo semestre, índice menor do que quando assumiu o cargo.
- 3 de maio de 2025
- Em: Internacional
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Desde que assumiu o governo argentino em dezembro de 2023, Javier Milei conseguiu reverter o cenário de descrença internacional aplicada a seu nome. Suas ações econômicas, inicialmente recebidas com forte ceticismo, estão gradualmente conquistando apoio e reconhecimento, tanto dentro quanto fora da Argentina.
Reformas profundas e resultados rápidos
Ao assumir, Milei herdou uma economia envolta em problemas estruturais graves: déficit fiscal, inflação galopante, excesso de funcionários públicos e rígidos controles cambiais. Sua resposta foi direta e incisiva: reduziu o número de ministérios pela metade, encerrou contratos de 24 mil servidores temporários e “fantasmas” e iniciou uma onda de desregulamentação do mercado.
Essas mudanças drásticas começaram a apresentar resultados ainda no seu primeiro ano de mandato. A inflação, que estava próxima de 300% ao ano no início de 2024, caiu para 67% em fevereiro do mesmo ano. A taxa de pobreza, que chegou a crescer para 53% em um dado momento, posteriormente recuou para 38% – melhor que o índice na posse de Milei. Outro número inédito: pela primeira vez em 123 anos, a Argentina fechou o ano sem déficit fiscal.
Apoio internacional e projeções positivas
Não só os indicadores econômicos melhoraram, mas também a percepção global. Milei foi citado pela revista Time entre as 100 pessoas mais influentes do planeta em 2025, e veículos como The Economist passaram a reconhecer o potencial das transformações econômicas em curso no país. O Fundo Monetário Internacional, que tantas vezes teve relações conturbadas com a Argentina, atualmente estima um crescimento do PIB de impressionantes 5% em 2025 — uma taxa que lembra a performance de economias asiáticas.
O novo acordo firmado com o FMI trará US$ 20 bilhões ao país em 48 meses, incluindo o desembolso imediato de US$ 12 bilhões. Com isso, as reservas internacionais saltaram de US$ 24,3 bilhões para mais de US$ 36 bilhões. Outros aportes importantes vieram de uma linha de swap cambial de US$ 5 bilhões com a China e de empréstimos multilaterais de US$ 6,1 bilhões do Banco Mundial e do BID.
Mudanças cambiais e queda da diferença de dólar oficial e paralelo
Outro avanço foi na flexibilização do regime cambial: controles rigorosos deram espaço a um sistema de bandas entre 1.000 e 1.400 pesos por dólar, com liberdade de compra para pessoas físicas e jurídicas a partir de abril de 2025. Isso equilibrou o valor do dólar blue — antes muito acima do oficial devido às restrições — que chegou perto do nível do câmbio oficial: 1.220 pesos no paralelo contra 1.195 pesos no oficial, em 25 de abril. Tal aproximação é vista como sinal de confiança e início de estabilidade monetária.
Desafios e próximos passos
Apesar dos primeiros avanços, os obstáculos permanecem. Analistas econômicos apontam que o sucesso do plano de Milei depende da aprovação de reformas estruturais, principalmente nas áreas trabalhista e tributária, algo que ainda enfrenta resistência no Congresso. Além disso, fatores externos, como retração dos preços de commodities e mudanças no cenário internacional, podem dificultar o acúmulo de reservas e o equilíbrio da balança comercial.
Também há desafios políticos internos: o índice de aprovação do presidente é de 45%, mas sua base parlamentar é limitada, o que torna a aprovação de reformas um processo difícil. Tensões sociais também aumentam no contexto de cortes agressivos de gastos, com greves e manifestações em setores afetados por demissões e outras medidas.
Conclusão
O cenário para a Argentina sob Javier Milei pode ser definido como um jogo em aberto. As primeiras conquistas surpreendem e reacendem a esperança de mudança, mas ainda será preciso vencer resistências e consolidar as reformas para garantir estabilidade e crescimento sustentável. O tempo e o contexto internacional serão determinantes para avaliar se o país conseguirá transformar este momento em um novo capítulo de prosperidade.