Recuperação Judicial de Empresas: Início de 2025 Marca Continuidade de Tendências Alarmantes
O aumento mais significativo nos pedidos de recuperação judicial foi registrado entre as micro, pequenas e médias empresas, segundo a Serasa Experian. Este grupo viu uma subida de quase 79% nos 12 meses encerrados em janeiro.
- 17 de março de 2025
- Em: Economia
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Com um panorama complexo, o início de 2025 viu um aumento nos pedidos de recuperação judicial, seguindo um recorde assombroso em 2024. De acordo com dados da Serasa Experian, janeiro registrou 162 solicitações por empresas buscando alívio financeiro, registrando um incremento de 8,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Este número é o mais elevado para um janeiro desde a implementação do mecanismo em 2005.
O ano de 2024 já havia sinalizado um cenário alarmante, com um aumento expressivo de 61,8% nos pedidos em comparação a 2023, atingindo um total de 2.273 requisições.
Embora os números de fevereiro ainda não tenham sido divulgados, algumas das maiores e mais conhecidas empresas do Brasil, incluindo Bombril, a cearense Ducoco, e o grupo Montesanto Tavares, figuraram entre as que buscaram proteção judicial, destacando os desafios contínuos enfrentados.
O aumento mais significativo nos pedidos de recuperação judicial foi registrado entre as micro, pequenas e médias empresas, segundo a Serasa Experian. Este grupo viu uma subida de quase 79% nos 12 meses encerrados em janeiro. O setor agropecuário despontou com um crescimento ainda mais impressionante de 236% na busca por recuperação judicial.
Camila Abdelmalack, economista da Serasa Experian, destaca que empresas de menor porte enfrentam dificuldades maiores devido à restrição de crédito e taxas de juros elevadas. “Estas empresas têm opções limitadas para financiamento, diferentemente das grandes empresas que conseguem acessar o mercado de capitais para refinanciamento”, explica.
Recorde de Empresas em Recuperação Judicial ao Final de 2024
De acordo com a RGF Associados, o país encerrou 2024 com 4.568 empresas sob recuperação judicial, uma marca histórica desde que os dados começaram a ser coletados em meados de 2023. A análise do último trimestre de 2024 revelou que 1,91 empresas a cada mil estavam sob recuperação, levemente piorado em relação ao trimestre anterior, que registrou 1,9 por mil.
Rodrigo Gallegos, especialista em reestruturação da consultoria, alerta sobre a continuidade das condições desafiadoras que afetam empresas de todos os tamanhos em diversas regiões.
Alguns estados revelam situações particularmente críticas, como Goiás (4,71 por mil), Alagoas (4,43 por mil) e Pernambuco (4,26 por mil). A situação setorial é especialmente grave nas indústrias de açúcar bruto, álcool e construção naval.
O setor agropecuário enfrenta desafios intensos, com 295 empresas em recuperação judicial, representando 6,5% do total nacional, um aumento em relação aos 5,8% do fim do segundo trimestre de 2024. Nos últimos três meses do ano, 35 novas empresas do setor entraram em recuperação, enquanto outras quatro saíram do procedimento.