Investigação aponta influência de político potiguar sobre entidade envolvida com INSS
Abraão Lincoln, presidente da CBPA, já liderou o diretório do partido Republicanos no Rio Grande do Norte e concorreu a deputado federal pela sigla em 2018. Ele mantém uma rede de contatos próxima tanto com representantes regionais quanto com lideranças nacionais do partido.
- 5 de maio de 2025
- Em: Destaques
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Uma investigação recente revelou que uma entidade, sob forte influência de um político, teria articulado a cooptação de dirigentes ligados ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). De acordo com as apurações, o controle exercido por este agente político facilitou a aproximação e o convencimento de integrantes do órgão, favorecendo interesses privados.
Além disso, o levantamento mostrou o pagamento de honorários a um lobista — atuação destinada a intermediar as relações entre a entidade e figuras estratégicas dentro do INSS, agilizando processos e ampliando vantagens ilícitas para o grupo. O envolvimento do lobista teria sido crucial para garantir benefícios e acesso diferenciado a informações e decisões importantes.
As investigações ainda apontam que, graças a essas articulações, era possível obter decisões favoráveis ao grupo, que buscava maximizar ganhos à custa do sistema público. O caso segue sob análise das autoridades, que investigam suspeitas de tráfico de influência, corrupção e possíveis prejuízos aos cofres do INSS.
Relação da CBPA com políticos e o INSS
Abraão Lincoln, presidente da CBPA, já liderou o diretório do partido Republicanos no Rio Grande do Norte e concorreu a deputado federal pela sigla em 2018. Ele mantém uma rede de contatos próxima tanto com representantes regionais quanto com lideranças nacionais do partido. Como exemplo, participou recentemente da comemoração de aniversário de Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, onde registrou sua presença ao lado do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) e comentou sobre celebrar a data ao lado de amigos e colegas de partido. Abraão também manifestou apoio presencialmente a Hugo Motta (Republicanos) durante a corrida pela presidência da Câmara dos Deputados em novembro de 2024.
Ainda de acordo com a Polícia Federal, quando assinou um acordo com o INSS permitindo descontos em folha de pagamento dos aposentados, a CBPA não tinha sequer um associado. No ano seguinte, porém, o número disparou e a entidade já contava com mais de 340 mil filiados, o que resultou em uma receita anual de R$ 57,8 milhões. Em apenas três meses de 2024, auge do esquema de descontos, os filiados saltaram para 445 mil, gerando um faturamento de R$ 41,2 milhões no período.
Auditores da CGU levantaram dúvidas sobre a capacidade da CBPA de administrar uma base tão grande de associados, o que reforçou suspeitas de fraude. Conforme já divulgado pelo Metrópoles, a entidade responde a milhares de processos na Justiça em vários estados e frequentemente é condenada por não comprovar a adesão voluntária dos aposentados.
Em 2024, um episódio chamou atenção: o ex-diretor de benefícios André Fidelis teria recebido diárias apenas para comparecer a uma festa promovida pela CBPA. Ele acabou demitido em julho do mesmo ano, após reportagens do Metrópoles sobre a chamada “Farra do INSS”.